Joga bola, jogador, joga bola, conrodonco…
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Sejamos diretos pelo menos aqui. Existem duas coisas que os homens adoram: futebol e Maria Chuteira. Pois bem, vamos nos ater ao primeiro.
… estamos aqui na Rua Victor Civita, 66 – B1 – Edifício 5 (5º andar) do Condomínio Rio Office Park, Barra da Tijuca Centro de São Paulo onde dentro de alguns estante o técnico do Excrete Canarinho irá divulgar a lista de convocados.
Esse é um momento impar na vida de qualquer atleta, por isso, muita atenção.
1 – Epaminondas, o grande. A altura faz dele um grande arqueiro, óbvio. Não joga mas está sempre treinando separadamente. É figura presente nos encontros boêmios de meio de semana.
2 – News House. Sofreu uma forte lesão no início do campeonato. Mas foi forte e tem se mostrado um grande lateral ofensivo, marcando belos gols. Um menino de potencial, mas ainda sofre por uma lesão passada.
3 – Denner. Líbero nato. Já fez partidas memoráveis, mas aposentou as chuteiras muito cedo. Alguns dizem que esse é seu jogo de despedida. Sua presença na concentração é questionada, pois alguns jornalistas dizem que ele morreu. Sua morte foi curta e grossa.
4 – Mexicano. Grande zagueiro, raça e boa vontade são suas características. Ele joga por música e tem um poder incrível em reunir o grupo, apesar de nunca sabermos onde suas mãos estão.
5 – Mineiro. Verdadeiro guerreiro, toca, dança e carrega o piano. Incríveis roubadas de bola e uma coragem incrível para jogar em qualquer terreno e contra qualquer adversário. Ele literalmente come a bola.
6 – Junior Capacete. Quem o viu jogar disse que era um exímio cobrador de faltas e veloz lateral. Hoje, desempenha importante papel de liderança dentro do grupo. Apesar de não estar presente em todas as atuações da equipe, ainda é o dono da braçadeira de capitão.
7 – Pedrinho. Sua mentalidade de craque às vezes o impede de fazer um jogo regular. Mas sempre que entra em campo faz verdadeira miséria com os adversários. Técnico, preciso, joga um futebol elegante. Assistências: sua marca registrada. Gol, só se for de placa e em um derby.
8 – Fernando Baiano. Sabe aqueles jogadores que arrebentam em um jogo e em outros passam desapercebidos? É ele! Mas joga pra equipe, eterno apaixonado pelo time com a letra “C” que me recuso a vociferar. Ainda é apontado como possível promessa. Só depende dele. E da letra “C” sair dos gramados é claro.
9 – Luis Fabiano. O matador. Bico, bicicleta, escanteio. Trivela, de cabeça e, se bobear, até gol contra. O que for preciso será feito. “Gol feio é gol. Gol horrível é gol. Gol mas puta que pariu que gol nojento, é gol caralho” é o lema deste atacante trombador. Foi a grande revelação da última temporada o que lhe assegurou a artilharia. Porém, cláusulas contratuais o impedem de jogar atualmente. Está em andamento na FIFA uma liminar que permitirá ao jogador voltar a presentear sua apaixonada torcida com o que ele sabe fazer de melhor: balançar as redes.
10 – Roger. O chinelinho. Um cara que poderia conquistar e encantar o mundo com seu futebol, mas sabe-se lá porque, ele não joga. Já fez atuações impecáveis em jogos decisivos, mas a pressão da torcida o fez parar. Essa convocação é uma nova chance para ele que ficou tanto tempo afastado do time. Ele parece dar sinais de que esta a encontrar seu antigo futebol. Ou pelo menos roubar o futebol que os outros estavam jogando.
11 – Gil. Sujo, craque, indisciplinado, goleador, boêmio, um demônio na área. Seu problema com a bebida e as noitadas não o impedem de ser apontado como um dos destaques desse time. Dribla, deixa um, dois no chão, mas, as vezes, na hora de concluir, refuga. Ele tem treinado esse fundamento e isso lhe rendeu uma nova convocação.
25 – Todos sabem que ele fica no banco. E todos também sabem que ele joga na hora que precisa jogar. Mens.. digo jogadas mirabolantes, que levam ao delírio até o time adversário faz dele uma arma potente em campos. O único problema real, é que o jogo só (digo novamente frisando o só) SÓ tem 90 minutos. Com mais 3 horas ele marcaria todos os gols.
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A tática sempre é ofensiva, muito por sinal. Independentemente da escalação, de quem vai jogar, de quem está motivado ou bêbado antes da hora, somos um time. Um grupo, uma seleção de amigos.
Granja Comarí o caralho!
Noite de céu limpo, tempo quente. Uma atípica noite de inverno era tudo o que a gente precisava pra entrar animado em campo.
Isso, e aquela mistura de bebidas que a Senhora Augusta preparava em todas as noites de partida.
O papo oscila entre trabalho, vida pessoal, mais trabalho, uma Brahma e um copo. O clima esquentando, um bomberinho. Uma olhada zonza no espelho. Acho que o nervosismo está me embriagando. O coração começa a disparar. Olho para o relógio. Duas e meia. Tá chegando a hora.
- Vamo, vamo, vamo – ele parece nervoso – já tamo tudo atrasado.
Alguém paga a conta. Um beijo de boa sorte na Augusta. Saimos correndo sem olhar pra trás;
E nem tínhamos motivo para olhar. O caminho até o gramado não é longo, mas é tenso: viados, putas, junkes, emos pedindo autógrafos para o News House, punks, nós-e-os-bêbados, mendigos e os malditos guardadores de carros a nos olharem.
Até o campo, a corrida é divertida e descontraída. O aquecimento sempre dizia como ia ser o jogo. A noite prometia.
“É milho, é gatas, é duas fichas de catú.”
A noite realmente prometia.
Parece que a arquibancada já pressentia a chegada dos atletas.
Umbabarauma, homem gol. É amigo… são todos pontas-de-lança africanos.
- Obrigado por ter vindo.
Na entrada, os vestiários. Já dava pra sentir o tremor no chão lá de baixo. Gritos indicavam que o jogo já tinha começado. Tambores, metais, instrumentos juntos fazendo um coro para animar a torcida.
- Corre neguinho. Sobe logo.
E aquele momento mágico, contagiante e rotineiro de quase todo fim de semana, só quem viveu sabe: a escada que levava aos gramados escondia todo o campo. Só nos últimos degraus que a gente conseguia enxergar aquela escuridão.
O time pronto, todos reunidos.
Uma troca de olhares.
- Bora time, o jogo começou.
posto e composto por Silva e Xavier.