Parágrafo, três espaços e começa a história.
Quantos beijos foram dados naqueles três pontos que ela mostrava em sua pele.
O primeiro foi o ponto final que ela exibia em sua boca, recusando acreditar que nossos corpos se encontrariam.
Sua gramática mentia.
Do final saiu o beijo onomatopéico. Seus suspiros não foram possíveis de ser traduzidos para a língua portuguesa e era com a língua que escrevia nas linhas curvas do seu corpo.
Mãos amassavam o papel que lutava contra o nascimento de mais uma história. Seus poros exalavam a toxina para ortografia, fazendo desconexas as palavras que eram escritas.
Rabiscando com saliva, cheguei à segunda pinta que marcava a pausa em seu peito. A respiração ofegante inspirava o inicio do segundo ato que foi desenhado com voracidade.
Escrevendo, pintando, desejando.
Continuando a produzir na pele o fogo que consumia o intimo de nós dois.
Caem as capas do livro. Páginas nuas são expostas tímidas e sem vergonhas. A vergonha era bela. A vergonha era faísca.
A censura não conseguiu entender como pontos e textos se encontravam ao acaso brotando paixão pelos aromas descritos.
Surreal, romantismo, dadaísmo. As escolas se misturavam com o paladar daquela história proibida.
Sua razão gritou e tornou o lado direito fraco.
A interrogação interrompeu a fonética. A dúvida fez das costas a última lembrança.
Estava lá a despedida.
O último ponto que não finalizou a história.
Estava lá o ponto que abriu o mistério.
Sem saber se era o fim, encerrei minhas palavras naquelas pintas que me encantaram.
Encerrei…