Tinha cara de virgem.
Um sorriso branco, discreto e safado que fazia qualquer quarentão como eu cair aos seus pés.
Quem dera fosse isso a razão da minha completa perdição. Quem dera fosse apenas o branco que contrastava o batom na sua boca.
Faltava pouco para eu descobrir a dor lasciva que entraria na minha carne como uma navalha de excitação.
- Oi.
Silêncio e um olhar sarcástico desprezaram como resposta a timidez. Instigaram a ficar.
Gelo e auto-estima quebrados, consegui me sentar junto a ela.
Não dizia nada como se fizesse questão que a observasse em cada detalhe. Mandava em mim sem palavras.
Pele branca envolvia uma estrada sinuosa por onde meus dedos ansiavam viajar, traçando sua forma no ar que nos separava. Olhos negros proibidos me fizeram menino. Me fizeram perdido. Sua boca saltava do rosto buscando me tentar em cada leve mordida que recebia de seus dentes. Ia me devorar.
Menina feita de pecado, suor e tentação. Pontos fortes de desejo espalhados pelo corpo, nunca me dizendo que aquele era o final.
Em prazer ofegante me perdi encontrando na ponta do seus dedos a cor que estamparia nossa paixão.
Roupas caiam com ferocidade. A parede pressionada sentia o calor da cena que acontecia. O suor escorria por sua pele tentando alcançar a velocidade das minhas mãos.
Foi quando cravei minha boca no seu pescoço que senti o gozo do flagelo na minha pele.
Menina branca de pintas negras.
Pintava nas feridas abertas em minhas costas suas unhas de vermelho.