Tinta e água

“Gosto de quem sonha com o impossível.”

Goethe

Quem poderia acreditar que de uma poesia abandonada nasceria uma história de amor.

Traços, rabiscos e idéias tortas foram deixadas no chão de uma via qualquer, para que o tempo desmanchasse a falta de criação de um ocioso.

Pela tinta preta e descartada passou o pó. Passaram pessoas, dias e pegadas sem que nada mudasse a tristeza daquela cena.

O próprio vento tentou animar os versos pobres em vão, sacudindo-os de um lado para o outro.

Nada parecia mudar aquela página.

O tempo fechou e do céu a primeira troca de olhares aconteceu.

Um dia cinza e abafado com um som atemorizante de fundo. O cenário perfeito para o encontro.

Ela descia suavemente tocando suas letras como se buscando naquelas palavras conforto para sua solidão.

Tocava lentamente cada pedaço abandonado de seu corpo, curando as feridas que o tempo deixou. Mesmo de forma frágil, agia com vigor nos rabiscos que foram largados, manchando os erros de um autor fracasso.

Nesse contato apaixonante, palavras que já não faziam sentido transformaram-se em borrões e criando uma nova história.

Ela caiu, breve e com opulência. Caiu e foi embora para por outra história se apaixonar, deixando não chão, não mais erros abandonados.

O que restou foi notado por todos que passaram por ali.

O que restou foram as manchas de um lindo romance.

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Uma resposta para “Tinta e água”

  1. Disse:

    mas vc tá que tá!
    qual é? vou te forçar a levar isso como profissão. =)

    adorei! de novo.

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