Lágrimas de chuva

“A natureza é um imenso dicionário”

Lineus

 

Triste, incompreendida, chorava a noite para que poucos pudessem ouvir.

Justo ela que um dia encantará, alimentará a todos que hoje a desprezam e debocham.

Mesmo maltratada, voltava sempre na mesma época para a cidade que a criará desde pequena. Já era bem vinda em casa.

Desprezou uma vez aqueles que não vêem sua importância e bastou a sede e o pó acumularem para que clamassem com rojões e velas sua volta.

Os tempos são outros. As importâncias mudaram.

Hoje se mata a sede com alumínio e arrasta o pó para debaixo do tapete.

E aquela, que alimentou os campos e encheu nossas banheiras, já é vista com desdém. Hoje ela só atrapalha o fluxo sanguinário do caos e não lava mais a alma de ninguém.

Hoje a chuva cai em prantos de tristeza.

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2 Respostas para “Lágrimas de chuva”

  1. Disse:

    Uma salva de palmas pro poeta Innocencio. Amei!!!

  2. - van - Disse:

    Amei e cabe mto bem ao clima chuvoso (mais pra tempestuoso, com cara de revolta) que eu to vendo aqui da janela.

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