Eu juro que queria ser uma pessoa normal, sorrir, ser simpático e todas essas viadagens que caracterizam um ser humano sociável.
Não sou e ponto. A culpa não é minha. É da porra da mariposa.
Óbvio que você, leitor assíduo e desinformado, vai perguntar.
- Que porra de mariposa?
Não importa. São todas do mal. As bunituchinhas/rosinhas/inofensivinhas, as pretas, as brancas, as que se escondem no meio do mato só esperando pra dar o bote (não, não é cobra caralho).
Só que a desse insight é especial. Tem até nome.
PORRA.
Bonito, não é mesmo?
Bom, tudo começa assim: não bastando eu mal ter dormido na noite anterior e estar cheio de tarefas e pouco prazo, me deparo com um desses demônios que se disfarçam em corpos alienigenas.
Marrom, peluda e parada na parede.
Pensei.
- Pronto, Tony Ramos voltou da praia e entrou pela janela. Era o que faltava.
Infelizmente estava errado.
Já faz 5 horas que ela se encontra parada no mesmo lugar. Me dando as costas. Me ignorando. Só esperando o momento oportuno para um voo raso e certeiro. Para me dar um susto e me fazer parecer uma menininha alucinada.
Suor desce pelo meu rosto.
- Liga o ar então.
- Já não disse que é a porra da mariposa?
Começo a pensar e vejo que existe algo em comum com toda a angústia, a miséria, o ódio, o cheiro azedo nos bêbados. Tudo é culpa da porra da mariposa.
- A mariposa PORRA?
- Não. A porra de todas as mariposas.
Foi então que percebi. Elas são o mal no mundo.
Será que só eu vejo isso?