…
“Quem melhor conhece a verdade é mais capaz de mentir.”
Sócrates
…
Estava ansioso demais.
As festividades estavam chegando e ele duro de sentimentos.
Tinha amigos pela pessoa que ele inventava ser. E vamos encarar os fatos, ele era uma péssima pessoa. Mentia como a péssima pessoa que era.
Contador de histórias profissional. Aprendeu tudo com seu pai, um alcoólatra em ascendência que precisava ganhar a vida de algum jeito. Sua mãe só conheceu pelos contos e fábulas que eram inventadas. Ora glorificada pela vó, ora prostituida pelos tios. Orava para um dia ter a chance de conhecê-la de verdade.
Foi criado entre mentiras de vida. Só lhe restava uma vida de mentiras.
Acabam aqui as verdades dessa história. Para conhecer a fundo nosso personagem seria preciso mudar o começo de sua vida, e tornar real essa trama embaralhada de sentidos roubados.
Logo nos primeiros passos aprendeu a sentir vergonha pelos erros dos outros. Mentia inocentemente fugindo de dedos e olhos maldosos.
Por crianças sem dó foi atacado no lixo de brincadeira e no lixo encontrou sua personalidade.
Deixou por lá o seu caráter. Para viver como ele, ter caráter é apenas um peso extra nas costas.
Ao longo de suas histórias, conquistou amigos. Muitos amigos. Não os amava. Sentia que os possuía. E quando eles precisavam, precisamente ele os ajudava, com todo o esforço desumano que ele tinha. Ele não sentia pena, mas mentia que sim.
Preguiçoso de criação, não tardou para arrumar emprego. Odiava ter que trabalhar, mas enganava a todos sendo consecutivamente eleito o funcionário do mês. Nessa epóca, passou pela sua cabeça tornar a ser uma pessoa sincera, mas sentiu na boca do estomago o vômito quando lembrou das crianças atacando verdades e restos de comida na sua cara. Verdades que nem eram dele.
Quem mente no trabalho, mente em casa.
Não era inteligente e escondendo isso de todo o resto de familia que tinha, ingressou na universidade. Não estava feliz mas sorria.
Tomou posse de muito mais amigos nessa epóca. E como por engano, se graduou com méritos.
E casou com uma mulher que não amava.
Teve filhos com quem não queria brincar.
Estava ansioso demais.
Nessa epóca do ano o relógio tinha pressa.
A campainha tocou.
Olhou para trás e viu o rastro de sujeira e mentiras que contou. Refletiu. Como era possível alguém tão sem escrúpulos ter chegado tão longe. Era sincero seu questionamento, afinal, nesses momentos de solidão não temos como escapar da verdade. Aquela boa pessoa. Trabalhadora. Inteligente. Romântica. Nada era dele. Nada era ele. Eram mentiras criadas para esconder um passado, que era passado ao seu.
A campainha tocou.
E com um sorriso falso acolheu a todos aqueles a quem odiava.
Iria passar um péssimo Natal na presença de todos. E ninguém iria perceber.
Distribuiu mentiras embrulhadas. Enganos secretos. E contou sua história.
Sua verdadeira história.
E dentre risos e chacotas ele percebeu que a sua maior mentira, foi ter contado a verdade.
Outubro 2, 2008 às 2:13 pm |
Muito bom.
E estou sendo sincero
Outubro 2, 2008 às 2:30 pm |
Eu já te disse…
Excelente!
Meu redator preferido! Rsss
Outubro 2, 2008 às 5:15 pm |
foi confuso a princípio…mas depois q eu entendi, eu adoreeeeeeei!!!!
Mto bom!
Congratulations.
Agora vou aguardar pelo novo texto brifado pela minha foto.
Já to ansiosa! hehehe
bjossss
Outubro 2, 2008 às 5:56 pm |
Parabéns, você escreve muito bem…..
Talvez suas palavras sejam inspirações de momentos, mas gostaria de algum dia desses, ler um texto romântico, onde no final ‘todos viveram felizes para sempre’ ou melhor, deixa que vc escreve o final.. o que acha?
Bj
Outubro 2, 2008 às 5:56 pm |
se eu fosso esse grande mentiroso que tomou vida nesse texto, diria que esse texto é um dos piores que eu ja li. mas só se fosse ele.
)
Outubro 2, 2008 às 8:37 pm |
Vai se fuder! Muito bom!
Outubro 2, 2008 às 11:14 pm |
Olha daniel, to berta. vc tem se superado. Além desse, li os outros dois, e todos estão muito bons; esse, eu achei especialmente bom. Continue…e não se esqueça de que pra ser um bom escritor,, é preciso ser um ótimo leitor.
sorte, bj.
Outubro 3, 2008 às 3:17 pm |
Se não tivesse tão ocupado pensando, eu comentaria algo bem legal.
Se preparem, está chegando um blog que vai revolucionar o modo do seu pensamento…
Na hora certa.
Outubro 3, 2008 às 10:52 pm |
não li ainda, ronas.
mas se a van falou que é bom, tbm acho!
(saudade)
Outubro 4, 2008 às 8:18 pm |
De longe, é seu melhor texto. MUITO bom.
Vc bem sabe que é raro me deixar sem palavras. Eu to há uns 2 dias pensando o que comentar, além do que já te falei sobre ele. Então, na falta do que dizer, eu grito: AHHHHHHHHHHHH!
PS: Fred e Sarah estão orgulhosos.
Outubro 17, 2008 às 2:32 pm |
[...] “Esse texto é de um amigo nosso, que trabalhava conosco…” Clique aqui para ler. [...]